quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Pela Janela


Pela janela ela se atirou
Morreu tão cedo
Não teve culpa
Livrou-se assim do medo
A sua mãe nem ligou
Seu pai não tinha tempo
Ela se jogou na calçada vazia
Ao sol do meio-dia
Ela se jogou do sétimo andar
E todos a olhar

Pela janela ela se atirou
Em desespero
Na rua as caras
Olhavam espantadas
E não havia ninguém
Que sentisse por ela
Ela se jogou da janela vazia
Era tão bonita
Ela se jogou pra desabafar
Não pode mais amar

Podia ter muitos garotos
Mas agora é um corpo morto
Pela janela, numa hora fria
Se foram as fantasias

Pela janela vejo pessoas
Em volta do cadáver
Estão rindo à toa
Vai sair nos jornais
Há câmeras e flashes
Gente de leste e oeste
Ela se jogou aos decompositores
Livrou-se assim das dores
Ela se jogou e ainda era virgem
Não teve um sex dream

Pela janela vejo as moscas
Pousando no seu rosto
Carpindo a pele
Provando o sangue exposto
A dona ao lado viu
Vai ter assunto hoje
Ela se jogou, senhoras e senhores
Livrou-se assim das dores
Ela se jogou num canto da cidade
Na flor da idade

Podia ter muitos garotos
Mas agora é um corpo morto
Pela janela, numa hora fria
Se foram as fantasias

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