quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Carta Pra Um Amor


Me atiro da cama ou da janela de um apartamento
Da vez que se ama o amor que não cabe
Já vem sofrimento

Me tranco no quarto e faço que moro na escuridão
Eu fecho os olhos pras coisas caladas
No meu coração

É que você não volta e eu não sigo
Você me faz de bobo e eu te faço de abrigo

Vou contra a parede tipo que bato à porta invisível
Da vez que tem sede a gente quer água
Mesmo inatingível

O peito aberto voa tão esperto, um tolo invencível
Dá tudo errado, eu mudo o traçado
Mas é irreversível

É que você não volta e eu não sigo
Você me faz de bobo e eu te faço de abrigo

Eu mudo as falas e saio do rumo pra impressionar
Invento uns poemas que é pra bendizer
Como é bom voltar

Eu sou porta aberta e a espera de quem vai chegar
Sou água passada, o prelúdio do nada
Um quadro a se pintar

Nenhum comentário: