quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Dos Amores


Eu não sou forte, eu não sou junco
Quando preciso e não estás junto

És minha sorte
Meu ouro e proteção
És, para mim
Virtude e compreensão

E eu, que já fui lírio e jasmim, hoje sou erva daninha
Sou mato em meio ao jardim

Que, sem amor, eu já não sou nada
Sou tela vazia ansiando um pintor

Algum pincel
Que me traga logo
Alguma tinta
Alguma tez, alguma cor

Pois eu, que já fui lírio e jasmim, hoje sou erva daninha
Sou mato em meio ao jardim

Mas vida, vida!
O que te faz tão sentida?
Tu és, do amor, a existência
Quiçá sejais uma partida

Tu és a sorte frágil dos favores, tu és mais bela que todas as cores
Tu és a fêmea de variadas dores, mais bela que a mais bela entre as flores

Vê se, ao menos, antes de partir
Tu me envias alguma outra semente
Pra que eu volte, quanto antes, a sorrir
E que me seja, enfim, eternamente

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