sexta-feira, 11 de outubro de 2019

O Clarinete


As ruas vão passando, cinzas, e eu vou jogando os pés
Um clarinete vai soprando os mais tristes decibéis
Com as mãos no bolso, frias, eu me vou com meu viés
Um trompete vai pintando os mais foscos painéis

Qual tristeza acesa em mim que me vem alegre assim
Em que eu canto um choro, enfim
Vêm as notas arredias de um saudoso querubim

As ruas vão passando, frias, e eu vou trocando os pés
Um clarinete vai soando os mais ralos tons pastéis
Com as mãos no bolso, lisas, eu me vou sem os anéis
Um trompete vai chorando os mais lívidos lauréis

Qual tristeza acesa em mim que me vem alegre assim
Em que eu canto um choro, enfim
Vêm as notas arredias de um saudoso querubim

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