Sou homem, miserável ser
Ser o que tu és, ó homem
Só o sendo sem querer, sem saber
Só o sendo coração
Pra que verta feridas em rosas, eis o meu desplante
Pra que, do profundo espinho cravado na carne
Nasça beleza que encante, que abrande a solidão
Sou homem, contestável ser
Ser o que tu és, ó homem
Só querendo não o ser, não saber
Só o sendo coração
Que o vento traga amor, então, porque o dente precisa mais de ti
Porque a unha precisa mais de ti, porque o peito precisa mais de ti
Porque o pulmão precisa mais de ti, porque a alma precisa mais de ti
Visto que de ti, longe, nem alma, já, seria
Apenas em espectro, em fantasma
Tristemente me transformaria

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