Eu odeio guarda-chuva
Que a chuva me molhe, molhe, molhe
Que a chuva me caia por sobre a cabeça
Como canivetes espalmados
Que me abra um buraco no crânio
E me fiquem os neurônios rasgados
Porque vida é morte, mas morte não é vida
Eu odeio guarda-chuva
Que a chuva me pingue, pingue, pingue
Que a chuva é bilíngue
Ela fala de tristeza e fala de alegria
Ela diz: “- Chora!”
Depois grita: “- Sorria!”
Que eu só penso em morte e eu só penso em vida
Porque vida é morte, mas morte não é vida
Eu odeio guarda-chuva
Que a chuva me bata, bata, bata
Como se batem palmas pros cadáveres
Por terem eles encontrado uma saída

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