terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Cadeira de Rodas


Eu me comparo aos espermatozoides aleijados
Aos loucos de todo gênero

Admiro o galo maluco e o seu cantar no fim da tarde
O quasímodo galante e o seu relógio parado
Todos os dois sou eu traduzido

Eu me entendo na nota desafinada, no trotar do cavalo manco
Estou entre as nuvens acinzentadas e nas cores trocadas para os daltônicos
Tudo me grita e penetra em disparate a esfera tresloucada da minha percepção crônica

Eu sou a cadeira de rodas sem as rodas

Eu me alinho aos esquizofrênicos desalinhados
Aos poucos de todo gênero

Admiro o pássaro cuco e o seu avisar causando alarde
O paquímetro quebrado e o seu temo parado
Todos os dois sou eu traduzido

Eu me atento ao átomo desfigurado, ao trotar do cavalo manco
Estou entre as nuvens esclerosadas e nas flores murchadas para os irônicos
Tudo me grita e penetra em disparate a cratera espaçada da minha percepção platônica

Eu sou a cadeira de rodas sem as rodas

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