sábado, 7 de dezembro de 2019

Fim da Linha


Eu quero hoje falar só de coisas superficiais
Como a pele do braço quebrado e a espuma na água do mar
Como a casca que envolve qualquer coisa inútil

Eu sou a tinta que solta da parede
Dos tons que se usam, sou o mais transparente
Os meus pulmões pararam e eu respiro, agora, por aparelhos

O frasco de interior vazio, a garrafa cheia de vácuo, tudo isso sou eu
Só a derme sem pelos, o invólucro casual
É só o que leva o nome que é meu

Sou o passageiro eterno, aquele que apenas passa
O pesar sempiterno, o que dorme na praça
Das estações que avisto, apenas uma me abraça
Esse fim da linha, essa morte sem graça

Eu quero hoje falar só de coisas superficiais
Como o rubro do inchaço gerado e o esgoto na água a boiar
Como a casca que esconde qualquer traste fútil

Eu sou a água que não fere a sede
Dos sons que se usam, sou o menos contundente
Os meus pulmões pararam e eu respiro, agora, por aparelhos

O azeite por sobre o líquido, a vasilha lotada de oco, tudo isso sou eu
Só as auras sem luz, a capa circunstancial
É só o que leva o nome que é meu

Sou o passageiro eterno, aquele que apenas passa
O pesar sempiterno, o que dorme na praça
Das estações que avisto, apenas uma me abraça
Esse fim da linha, essa morte sem graça

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