Eu quero hoje falar só de coisas superficiais
Como a pele do braço quebrado e a espuma na água do mar
Como a casca que envolve qualquer coisa inútil
Dos tons que se usam, sou o mais transparente
Os meus pulmões pararam e eu respiro, agora, por aparelhos
O frasco de interior vazio, a garrafa cheia de vácuo, tudo isso sou eu
Só a derme sem pelos, o invólucro casual
É só o que leva o nome que é meu
Sou o passageiro eterno, aquele que apenas passa
O pesar sempiterno, o que dorme na praça
Das estações que avisto, apenas uma me abraça
Esse fim da linha, essa morte sem graça
Eu quero hoje falar só de coisas superficiais
Como o rubro do inchaço gerado e o esgoto na água a boiar
Como a casca que esconde qualquer traste fútil
Dos sons que se usam, sou o menos contundente
Os meus pulmões pararam e eu respiro, agora, por aparelhos
O azeite por sobre o líquido, a vasilha lotada de oco, tudo isso sou eu
Só as auras sem luz, a capa circunstancial
É só o que leva o nome que é meu
Sou o passageiro eterno, aquele que apenas passa
O pesar sempiterno, o que dorme na praça
Das estações que avisto, apenas uma me abraça
Esse fim da linha, essa morte sem graça

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