domingo, 8 de dezembro de 2019

Manchas


Eu não gosto das paredes sujas, eu não gosto da sarjeta
Eu não gosto do lodo no chão da casa, da ferrugem na bica da pia
Eu não gosto do ranço das piadas velhas

Eu não gosto das paredes sujas, eu não curto tarja preta
Eu não gosto dos palavrões, dos arranhões, do rasto das infecções
Eu não gosto do ranço das piadas velhas

Eu não gosto do gosto de putrefação nem de fornicação
Eu não gosto do cheiro de bosta, de urina forte ou carne estragada
Eu não gosto do ranço desta constipação

Porque todas estas coisas e as outras das quais não falei
São fedidas como eu, todo sujo, todo podre, funesto e enferrujado
Eu velho e roto, estragado e esparramado

Pois que eu sou um cu de puta depois de uma vida inteira na marra
Eu sou assim, que a gente é desta forma
Comemos estrume porque queremos
Fazemos a dieta da moda

Já os macacos sabem andar nus
Não sabem de fama ou dinheiro, fortuna que seja
Nem conhecem ouro

Pois que eu sou um cu de puta depois de uma noite inteira na farra
Eu sou assim, que a gente é desta forma
Passamos perfume porque fedemos
Usamos a roupa da moda

Já os macacos sabem andar nus
Não sabem da opinião do vizinho, da vida alheia
Ou do carro do outro

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