Ai, vontade insana
De abraçar os meus adjacentes mortos
Desenterrar os seus caixões, abri-los e contemplar os seus sorrisos
Que, por milagre
Estarão ainda intactos ao tempo e aos vermes
Que, por sorte, estarão ainda intocados pelo ocaso que passou
De carne e músculo, outra vez, os ossos
Que o sangue circule mais uma vez esquentando as veias e os sisos
Que hoje eu preciso
Dançar sorrindo com os meus parentes inertes
Que hoje eu preciso brincar de futebol de botão com o meu avô

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