quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Necropsia


Ai, vontade insana
De abraçar os meus adjacentes mortos
Desenterrar os seus caixões, abri-los e contemplar os seus sorrisos

Que, por milagre
Estarão ainda intactos ao tempo e aos vermes

Que, por sorte, estarão ainda intocados pelo ocaso que passou

Ai, que se cubram
De carne e músculo, outra vez, os ossos
Que o sangue circule mais uma vez esquentando as veias e os sisos

Que hoje eu preciso
Dançar sorrindo com os meus parentes inertes

Que hoje eu preciso brincar de futebol de botão com o meu avô

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