Azulejo, azulejo
Eu te olho e me vejo
Eu vejo em ti exatamente como eu sou
Com outra forma, de outra cor
Porque eu não sou aquilo que a genética desenhou
Eu tenho o defeito de ser outra coisa, outra escultura, outro verso
Justo aquele que o poeta não sonhou
Eu te olho e me beijo
Porque eu amo o que eu sou em ti
Sem forma definida, um rabisco sem compromisso de estética
Essa coisa dialética entre o real e o realismo
Essa sombra que não leva o meu cinismo, mas tão somente a distorção que me povoa
Azulejo, azulejo
Eu te olho e lacrimejo
Não sei por que, mas vejo agora caranguejo
Em ti, eu posso ser o que quiser
Minha borra parece o que me vier: sou anta, mancha de tinta, um espectro
Sou impressão, sou ameba, nem sou torto nem reto
Em ti, eu te olho e me vejo e sou o que vejo

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