domingo, 1 de dezembro de 2019

Poema Com Rima


Ah, o frescor dos clássicos, o raiar de um Camões
Hoje só versos apáticos, fotocópias de paixões

O modernismo, ah, era moderno; saudades de Pessoa, o inventor
Agora – o que invento? – sou paterno apenas de poemas sem valor
Valha-me, Shakespeare, que tragédia; não sou vário ou mesmo um que seja
Querer ser poeta, que comédia; deste bolo não sou nem a cereja

Ah, o labor dos épicos, o lapidar de um Durão
Hoje só versos patéticos, melodia sem canção

O barroco, ah, era rebuscado; saudades de Rimbaud, o imprevisível
Sejamos, como ele, um poeta inesperado empunhando um verso imbatível
Valha-me, Poe, que construção; que rimas notórias pelo absurdo
Teu corvo sobrevoa o meu coração gritando pro meu peito estupefato, mudo

Nenhum comentário: