quarta-feira, 12 de junho de 2024

Ah, Fingimento! E Tu, Imitação?


Ah, fingimento, és em mim quanto um gigante
Com que força e insistência que eu finjo
Tuas mãos em meu pescoço são um guincho
Pra sufocar o que eu crio, és ofuscante

E tu, imitação, és presente em meu semblante
Como os olhos, a boca, o nariz e o queixo
De imitar, só um instante, eu que não deixo
Se aponto os meus versos, roubo Dante

Sou Quintana ou Bocage, Pessoa e tantos outros
Sou Bandeira e um Santa Rita Durão
Meus escritos são vários e parecem doutos

Mas quem dera o assombro de poder ser criação
E, afinal, quem sabe entre uns poucos
Ser de fato um poeta, enganador aí que não

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